Há registros que, em Havana, capital de Cuba, a estátua de José do Patrocínio está numa alameda, onde existem outras estátuas de “Heróis da Humanidade”. Lá, sim, o nosso Zé do Pato se encontra ao lado de seus iguais. Afinal sua luta em favor da abolição, representou a libertação de uma nação inteira exilada e de todas as suas gerações futuras. Coisa de gigante. Como diria o poeta escondido, Osório Peixoto, orgulho para “arrebentar o coração da gente”, seus conterrâneos.
Aqui, onde o menino Patrocínio veio à luz, leniência e letargia cívicas. A cena escultórica que conta a saga do Tigre da Abolição, no pátio de entrada do Palácio da Cultura, foi grosseiramente desfeita e violada pela obtusidade intelectual. O conjunto foi remontado na praça do canhão, sem qualquer critério ou referência para os que desconhecem a saga do filho da negra Justina. Duas agressões: primeiro à memória de Patrocínio e depois, à do poeta Antonio Roberto Fernandes, idealizador da obra de resgate histórico. Incansável na briga contra a burocracia que questionava o valor imaterial da homenagem.
Não cabe qualquer restrição crítica ao governo municipal de agora. Seria injusto imputar culpa a quem já encontrou o crime perpetrado. Ao Poder instalado, apenas o pedido para que repare o mal e dê àquela lembrança física do herói da abolição o destino merecido.
Mas não devo encerrar esse assunto sem antes assumir “a parte que me cabe neste latifúndio”. Tenho culpa a expiar. Minha culpa, minha máxima culpa, pela omissão e pelo acovardamento, afinal na época do desmonte e transferência das esculturas eu exercia uma função no governo de então. Seria indigno tentar justificativas tardias. Discordei, mas fiquei mudo. Ao contrário do herói, Patrocínio, que discordou e trovejou até a vitória final.
sexta-feira, abril 30, 2010
ESTAMOS CRESCENDO
Na idade média as cidades eram cercadas de muros. O entorno, improvisado e carente, se organizava em forma de vilas, daí, inclusive, a origem da palavra vilão – termo atribuído a quem morava nas vilas, fora do condomínio primário e assustava os pacatos e ordeiros moradores das cidades intra-muros.
Como se vê, a desordem urbana, primeiro se afigura no crescimento da periferia. Sinal evidente que a cidade transbordou e a sobra se espalha, geralmente, disforme.
Contudo, mesmo na segurança aparente do espaço citadino cercado de muros – visíveis ou não – a falta de planejamento acaba por produzir outras distorções. O trânsito caótico é uma delas.
A nossa vila formosa sofre as conseqüências do empirismo administrativo. A qualquer hora do dia, está complicado circular de carro por alguns corredores, entre os quais Pelinca, avenida 28 de Março e rua Alberto Torres. O tumulto é evidente. A impressão, em meio ao calor, a sinfonia de buzinas e a irritação, é de uma Bombaim, com menos história, apenas.
Falta ordenamento, faltam vias perimetrais, falta um plano viário decente... por conseguinte, falta governo.
No terminal Senador Luiz Carlos Prestes, no centro velho, lotadas, vans e ônibus disputam o passageiro, que sem alternativa, escolhe a condução menos pior. Estamos crescendo, comadre.
Como se vê, a desordem urbana, primeiro se afigura no crescimento da periferia. Sinal evidente que a cidade transbordou e a sobra se espalha, geralmente, disforme.
Contudo, mesmo na segurança aparente do espaço citadino cercado de muros – visíveis ou não – a falta de planejamento acaba por produzir outras distorções. O trânsito caótico é uma delas.
A nossa vila formosa sofre as conseqüências do empirismo administrativo. A qualquer hora do dia, está complicado circular de carro por alguns corredores, entre os quais Pelinca, avenida 28 de Março e rua Alberto Torres. O tumulto é evidente. A impressão, em meio ao calor, a sinfonia de buzinas e a irritação, é de uma Bombaim, com menos história, apenas.
Falta ordenamento, faltam vias perimetrais, falta um plano viário decente... por conseguinte, falta governo.
No terminal Senador Luiz Carlos Prestes, no centro velho, lotadas, vans e ônibus disputam o passageiro, que sem alternativa, escolhe a condução menos pior. Estamos crescendo, comadre.
quinta-feira, abril 29, 2010
É ELE!
O empresário de comunicação, Barbosa Lemos, dono da Rádio Campos Difusora, é, hoje, o maior arauto do governo municipal. Influente e bem informado, Barbosa anunciou, pelo ar, que neste final de semana, o Garotinho virá à Campos para colocar “a casa em ordem”. Que ninguém duvide disso. Barbosa conhece bem Garotinho, que por sua vez e como ninguém, conhece os caminhos e atalhos da política.
Pelo visto a grande crise da administração municipal está com os dias contatos. O salvador da Pátria partida vem aí. É ele!
Pelo visto a grande crise da administração municipal está com os dias contatos. O salvador da Pátria partida vem aí. É ele!
LULA ACREDITOU
O cineasta Michael Moore, uma espécie de Silvio Tendler hollyoodiano, escreveu na revista Time que o presidente Lula, do Brasil, é o líder mais influente do mundo. Lula acreditou e por conta disso tem tido noites de anjo. Quem não tem dormido direito é o companheiro Obama, que ficou no longínquo quarto lugar.
Esse novo status vai reforçar, com certeza, a legítima ambição de Luis Inácio de pleitear a presidência da ONU, Organização das Nações Unidas, depois que trocar de lugar com Dilma, a companheira Estela, dos tempos duros. É bem verdade, que nesse capítulo, ainda falta combinar com o povo.
Depois de ser incensado pelo Le Monde e El País, agora foi a vez da Veja americana, inflar os brios do nosso Comandante. Em outra época, estufaríamos o peito e diríamos, depois da Europa, agora foi a vez dos irmãos do Norte caírem aos nossos pés. Como se vê, com justificada razão, não há mais limites para o nosso “líder universal dos povos”.
Esse novo status vai reforçar, com certeza, a legítima ambição de Luis Inácio de pleitear a presidência da ONU, Organização das Nações Unidas, depois que trocar de lugar com Dilma, a companheira Estela, dos tempos duros. É bem verdade, que nesse capítulo, ainda falta combinar com o povo.
Depois de ser incensado pelo Le Monde e El País, agora foi a vez da Veja americana, inflar os brios do nosso Comandante. Em outra época, estufaríamos o peito e diríamos, depois da Europa, agora foi a vez dos irmãos do Norte caírem aos nossos pés. Como se vê, com justificada razão, não há mais limites para o nosso “líder universal dos povos”.
CRIME DE PEDOFILIA EM CAMPOS
“Esse silêncio todo me atordoa,
Atordoado, permaneço atento,
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa.
Pai, afasta de mim esse cálice”.
Chico Buarque de Holanda e Gilberto Gil.
Atordoado, permaneço atento,
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa.
Pai, afasta de mim esse cálice”.
Chico Buarque de Holanda e Gilberto Gil.
PLANO B. OU G
O Paço Municipal continua sem alternativa para reocupar a liderança, na Câmara. O nome que o governo defende para o cargo não está entre os atuais vereadores eleitos. Nesse momento delicado porque passa a administração, a prefeita gostaria muito de ter o suplente de vereador e atual secretário de governo, Edson Batista na função espinhosa de líder, mas para isso, terá que fazer uma obra de engenharia política.
O médico Edson Batista não é um aliado circunstancial, muito menos “cristão novo”. Tem história no grupo político liderado por Anthony Garotinho e perfil para pilotar o jato na turbulência. Para o governo seu nome soa como música. Para a bancada ofendida, no entanto, a solução é ruidosa.
O plano é convocar um dos vereadores para uma secretaria e abrir vaga para Edson, além de botar em campo a brigada de incêndio, que terá que agir com pressa para conter o fogo. Qualquer deslize agora pode ser fatal. O governo trabalha na margem de risco. Uma única dissidência na base aliada compromete de vez a maioria governista.
O médico Edson Batista não é um aliado circunstancial, muito menos “cristão novo”. Tem história no grupo político liderado por Anthony Garotinho e perfil para pilotar o jato na turbulência. Para o governo seu nome soa como música. Para a bancada ofendida, no entanto, a solução é ruidosa.
O plano é convocar um dos vereadores para uma secretaria e abrir vaga para Edson, além de botar em campo a brigada de incêndio, que terá que agir com pressa para conter o fogo. Qualquer deslize agora pode ser fatal. O governo trabalha na margem de risco. Uma única dissidência na base aliada compromete de vez a maioria governista.
quarta-feira, abril 28, 2010
FLORAIS DE BACH?
A renúncia da liderança do governo municipal, na Câmara, pelo vereador Magal não é um ato isolado. Não se esgota em si mesmo. Na verdade, a carta de abandono do cargo entregue à presidência do parlamento, pelo vereador Jorge Magal é a parte visível de uma crise intestina na bancada governista. O caso é grave. Os vereadores da situação estão à beira de um ataque de nervos.
São muitos os sentimentos que atormentam os vereadores aliados: mágoa, insatisfação e frustração para não citar outros. Há ainda, agravando o quadro, a distância institucional entre o Executivo e a bancada. Para piorar, os acordos quando são feitos aqui, ainda dependem do beneplácito de sua senhoria, a eminência parda, que vive a quase 300 quilômetros da formosa Vila de São Salvador dos Campos.
Que fazer, então, doutor? Tem remédio para esses males? Que tal florais de Bach?
Como dizia Manuel Bandeira, o mais apropriado é um tango argentino.
São muitos os sentimentos que atormentam os vereadores aliados: mágoa, insatisfação e frustração para não citar outros. Há ainda, agravando o quadro, a distância institucional entre o Executivo e a bancada. Para piorar, os acordos quando são feitos aqui, ainda dependem do beneplácito de sua senhoria, a eminência parda, que vive a quase 300 quilômetros da formosa Vila de São Salvador dos Campos.
Que fazer, então, doutor? Tem remédio para esses males? Que tal florais de Bach?
Como dizia Manuel Bandeira, o mais apropriado é um tango argentino.
SAIA JUSTA
A prefeita de Campos disse o que quis e ouviu o que não quis, na cerimônia de início das obras de desobstrução dos canais da baixada, em Donana, na manhã desta quarta feira, 28.
Acompanhada de quase todos os secretários e agregados, dona Rosinha reclamou do estado de inadimplência da prefeitura de Campos, a enfadonha e repetida “herança maldita”. Lamentou que o município ainda esteja em situação irregular e que, por conta disso, não pode receber os 97 milhões de reais do PAC, depositados na conta do governo do Estado para a obra dos canais.
O governador Cabral consolou a prefeita. Lembrou que quando assumiu o Estado do Rio, em 2007, a situação também era difícil, com dívidas em aberto e sem crédito. Disse que, com esforço e determinação, mudou, radicalmente, o quadro à ponto do Rio receber, há pouco tempo, grau de investimento concedido pela agência internacional de classificação de risco, Standard & Poor´s (S&P). Um crédito superior a 5 bilhões de reais.
Cabral, como se sabe, sucedeu dona Rosinha.
A prefeita ouviu o discurso do governador e compartilhou com seus aliados presentes, um tímido sorriso... amarelo.
Acompanhada de quase todos os secretários e agregados, dona Rosinha reclamou do estado de inadimplência da prefeitura de Campos, a enfadonha e repetida “herança maldita”. Lamentou que o município ainda esteja em situação irregular e que, por conta disso, não pode receber os 97 milhões de reais do PAC, depositados na conta do governo do Estado para a obra dos canais.
O governador Cabral consolou a prefeita. Lembrou que quando assumiu o Estado do Rio, em 2007, a situação também era difícil, com dívidas em aberto e sem crédito. Disse que, com esforço e determinação, mudou, radicalmente, o quadro à ponto do Rio receber, há pouco tempo, grau de investimento concedido pela agência internacional de classificação de risco, Standard & Poor´s (S&P). Um crédito superior a 5 bilhões de reais.
Cabral, como se sabe, sucedeu dona Rosinha.
A prefeita ouviu o discurso do governador e compartilhou com seus aliados presentes, um tímido sorriso... amarelo.
MAGAL CANTOU, MAS NINGUÉM ENTENDEU
Magal já não se hospeda mais na desconfortável liderança do governo municipal, na Câmara. Jogou a toalha em plena sessão da manhã de hoje, 28, e caiu mascando. Eu sei que outros caem atirando, mas Magal não se permitiu a tamanho atrevimento. Se quis atirar, não conseguiu. Mascou, apenas.
Disse ao site Ururau (não sei ainda fazer aquelas indicações de links) que o motivo de sua saída deve-se a uma reunião de integrantes do governo, na noite da última terça feira, ocasião em que alguém muito bem chegado à prefeita, pode-se dizer da cozinha da administração, fez uma “acusação gravíssima” contra ele.
O líder demissionário não identificou seu detrator, muito menos explicou que “acusação gravíssima” é essa.
Agora, das duas, duas: ou Magal canta a pedra direito, diz quem o acusou e do que o acusou ou vai disseminar uma desconfiança geral e irrestrita dentro e fora do governo. As caldeiras da usina de boatos já fervem a todo vapor.
Disse ao site Ururau (não sei ainda fazer aquelas indicações de links) que o motivo de sua saída deve-se a uma reunião de integrantes do governo, na noite da última terça feira, ocasião em que alguém muito bem chegado à prefeita, pode-se dizer da cozinha da administração, fez uma “acusação gravíssima” contra ele.
O líder demissionário não identificou seu detrator, muito menos explicou que “acusação gravíssima” é essa.
Agora, das duas, duas: ou Magal canta a pedra direito, diz quem o acusou e do que o acusou ou vai disseminar uma desconfiança geral e irrestrita dentro e fora do governo. As caldeiras da usina de boatos já fervem a todo vapor.
terça-feira, abril 27, 2010
GENTE QUE É NOME DE PONTE
O filho do falecido vereador Renato Barbosa, do PT, Renatinho, de 7 anos, encaminhou carta ao presidente da Câmara de Campos, Nelson Nahim, solicitando que seu pai “seja nome de uma ponte importante”. Pragmático, o menino disse que aguarda uma resposta dos vereadores. “Sim ou não?” A ponte em questão é a que liga os bairros do Fundão e Corôa e que, informalmente, foi batizada de Alair Ferreira.
A irriquieta Jô Ribeiro, que estava no plenário quando a carta foi lida, foi quem sugeriu ao então prefeito de Campos, Alexandre Mocaiber, que nominasse a ponte recém-construída de deputado federal, Alair Ferreira, um capixaba que marcou história por aqui e que, além de parlamentar e empresário, era íntimo dos governos pós 1964. Alair chegou a trazer o presidente Figueiredo à Campos, para a cerimônia de inauguração da sua estação de TV, afiliada a rede Globo, a TV Norte Fluminense.
A ponte ganhou o nome de Alair Ferreira, mas a Câmara Municipal não deliberou sobre a matéria, uma vez que o governo da época não encaminhou o projeto ao legislativo. Alair Ferreira é nome de um Posto Médico da Prefeitura e de um trecho da avenida 28 de Março.
A cobrança de Renatinho, embora inteiramente compreensível e factível, vai levantar uma polêmica. A velha guarda que conheceu e conviveu com Alair Ferreira, vai sair em sua defesa de sua memória.
A irriquieta Jô Ribeiro, que estava no plenário quando a carta foi lida, foi quem sugeriu ao então prefeito de Campos, Alexandre Mocaiber, que nominasse a ponte recém-construída de deputado federal, Alair Ferreira, um capixaba que marcou história por aqui e que, além de parlamentar e empresário, era íntimo dos governos pós 1964. Alair chegou a trazer o presidente Figueiredo à Campos, para a cerimônia de inauguração da sua estação de TV, afiliada a rede Globo, a TV Norte Fluminense.
A ponte ganhou o nome de Alair Ferreira, mas a Câmara Municipal não deliberou sobre a matéria, uma vez que o governo da época não encaminhou o projeto ao legislativo. Alair Ferreira é nome de um Posto Médico da Prefeitura e de um trecho da avenida 28 de Março.
A cobrança de Renatinho, embora inteiramente compreensível e factível, vai levantar uma polêmica. A velha guarda que conheceu e conviveu com Alair Ferreira, vai sair em sua defesa de sua memória.
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