Sem salário há dois meses, motoristas e cobradores de ônibus deixam de circular
OS rodoviários paralisaram as atividades na manhã desta segunda-feira sem previsão de retorno
Foto: JTV
A segunda-feira (9) começou com prejuízos para os usuários do transporte coletivo. Motoristas e cobradores das empresas São João, Rogil, Siqueira e Turisguá deixaram de circular ainda no início da manhã. Dezenas de ônibus estão parados no terminal Luiz Carlos Prestes, no Centro. Os rodoviários reivindicam a regularização do pagamento dos meses de agosto e setembro. Eles afirmam, ainda, que voltarão a circular somente com a regularização dos pagamentos.
Um funcionário da São João que teve a identidade preservada disse que há muita burocracia para conseguir um vale, por exemplo. “Se estamos com os salários atrasados, temos o direito de pegar pelo menos um adiantamento para quitar os compromissos que não podem esperar como energia, água e alimentação. Mas, é uma dificuldade para conseguir um vale na empresa. E, se a gente tira do caixa e assina um vale, somos chamados na direção, advertidos e ainda temos que explicar porquê de tal atitude. É inacreditável. A empresa sabe que está em falta conosco e ainda temos que justificar um vale”.
Outro funcionário da mesma empresa revelou que o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) dos funcionários não é depositado há anos. “A gente até pensa em pedir demissão e com os nossos direitos trabalhistas quitar as contas, colocar a vida em dia, mas um outro colega demitido já nos alertou que o FGTS não está depositado. Quer dizer, se correr o bicho pega. Se ficar o bicho come.”
Segundo a categoria, o sindicato não os representa. “Da outra vez, paralisamos as atividades e deixamos 30% dos ônibus circulando. Não adiantou nada porque as empresas descontaram do salário os dias parados. Informamos a situação ao sindicato e o que adiantou? Nada! Amargamos o prejuízo. Por isso, dessa vez, decidimos parar a frota toda, sem exceção”, finalizou um funcionário da Viação Siqueira.De acordo com o Sindicato dos Rodoviários, a paralisação desta segunda-feira é ilegal. Mais uma vez, o sindicato não foi informado da intenção de paralisação. E, dessa vez, paralisaram todas as linhas sem respeitar a lei que obriga a circulação de 30% da frota”, destacou Roberto Virgílio, presidente da instituição.
Impasse entre prefeitura e empresas
As empresas justificam o atraso alegando que a Prefeitura de Campos não está em dia com o repasse. Em contrapartida, a Superintendência de Comunicação informou que o Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT) já convocou reunião junto aos consórcios e o sindicato dos Rodoviários, nesta segunda (9). A prefeitura vem mantendo os repasses aos consórcios em dia, de janeiro a agosto deste ano, e mantém diálogo para pagamento referente ao mês de setembro. É importante ressaltar que segundo legislação, os consórcios devem manter 30% das frotas em circulação nas ruas da cidade para atendimento à população.

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