domingo, agosto 11, 2013

FELIZ DIA DOS PAIS

Meu pai, Anleifer Leite Fernandes
Já não me lembro, exatamente, quantos anos tinha, quando a professora anunciou que o tema da redação era sobre o dia dos pais. Meus colegas de primário do Barão de Macaúbas debruçaram sobre a folha e eu fiquei sem saber o que fazer. O meu pai morrera há pouco tempo e, com exceção do grupo escolar e da minha casa ali perto, tudo ainda era pra mim um imenso mistério. Sequer compreendia que os pais morriam e deixavam meninos sem saber como se defender.

“Escreva sobre as lembranças que você têm do seu pai”, tentou ajudar a professora. Não tinha tantas lembranças assim, a não ser a bicicleta de quadro duplo, a linha do trem por onde eu, a pé, levava a marmita dele, acompanhando um dos irmãos, um dia de chuva e aquele seu paletó que me vestia como se fosse uma batina. Isso dava uma redação? Deu uma poesia sentida e assimétrica. A primeira. Descobri, então, naquela manhã longínqua que eu tinha “um jeito de ver” a vida e seus desvãos.


A partir daí não parei mais de escrever. Cumpro a sina dos que varam a vida imitando Deus, inventando de novo o Mundo, a partir da palavra encantada.

4 comentários:

  1. fernando leite você é um dos poetas de campos. adoro o q vc escreve. esta poesia para o seui pai foi uma das coisas mais bonita que já li.

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  2. Parabéns pelo texto. Na verdade,uma poesia em forma de prosa, Coisa pra poucos. Belíssimo.

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  3. fERNANDO O SEU CAMINHO É O DA pOESIA. LINDO POEMA.

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  4. Que máximo!

    Solange Fiel

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