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| Meu pai, Anleifer Leite Fernandes |
Já não me lembro, exatamente, quantos anos tinha, quando a
professora anunciou que o tema da redação era sobre o dia dos pais. Meus
colegas de primário do Barão de Macaúbas debruçaram sobre a folha e eu fiquei
sem saber o que fazer. O meu pai morrera há pouco tempo e, com exceção do grupo
escolar e da minha casa ali perto, tudo ainda era pra mim um imenso mistério.
Sequer compreendia que os pais morriam e deixavam meninos sem saber como se
defender.
“Escreva sobre as lembranças que você têm do seu pai”, tentou
ajudar a professora. Não tinha tantas lembranças assim, a não ser a bicicleta
de quadro duplo, a linha do trem por onde eu, a pé, levava a marmita dele,
acompanhando um dos irmãos, um dia de chuva e aquele seu paletó que me vestia
como se fosse uma batina. Isso dava uma redação? Deu uma poesia sentida e
assimétrica. A primeira. Descobri, então, naquela manhã longínqua que eu tinha
“um jeito de ver” a vida e seus desvãos.
A partir daí não parei mais de escrever. Cumpro a sina dos
que varam a vida imitando Deus, inventando de novo o Mundo, a partir da palavra
encantada.

fernando leite você é um dos poetas de campos. adoro o q vc escreve. esta poesia para o seui pai foi uma das coisas mais bonita que já li.
ResponderExcluirParabéns pelo texto. Na verdade,uma poesia em forma de prosa, Coisa pra poucos. Belíssimo.
ResponderExcluirfERNANDO O SEU CAMINHO É O DA pOESIA. LINDO POEMA.
ResponderExcluirQue máximo!
ResponderExcluirSolange Fiel