quinta-feira, janeiro 22, 2015

O IDEB DE CAMPOS REFLETE A GESTÃO DA EDUCAÇÃO

JORNAL TERCEIRAVIA:

Saiba porque Campos tem a quarta pior educação do Estado do Rio

As escolas João Goulart e Jacques Richer funcionam há 3 anos no mesmo espaço sem estrutura adequada

Quem não sabe o motivo que leva o município de Campos dos Goytacazes a ocupar a 88ª posição, quarta pior média do Estado do Rio de Janeiro, no Índice Nacional de Educação Básica (Ideb), precisa ler esta matéria:

Os estudantes da Escola Municipal Jacques Richer, em Campo Novo, e da Escola Municipal João Goulart, que funcionava em Venda Nova, vivem uma verdadeira via crucis há três anos consecutivos. Desde fevereiro de 2012, os cerca de 250 alunos das duas unidades dividem o mesmo e pequeno espaço, na Escola Jacques Richer. Para comportar todas as crianças e adolescentes, o Laboratório de Informática e o Refeitório foram adaptados e estão sendo usados como salas de aula, mas a medida não agradou e, de acordo com os professores, tem prejudicado o pedagógico dos estudantes.

Os problemas começaram quando a Escola Municipal João Goulart, que encontrava-se em estado de calamidade, foi demolida para ser transformada em uma Escola Modelo. A solução, na ocasião, foi levar os estudantes para a unidade da localidade vizinha, a Escola Municipal Jacques Richer que, antes, tinha apenas 100 alunos matriculados. A falta de espaço levou os professores a tomarem uma atitude emergencial: desativaram o Laboratório de Informática e o Refeitório. O problema é que, sem um local para as refeições, coube às serventes da unidade a tarefa de distribuir os pratos de comida para cada aluno em suas respectivas salas. Além disso, para ir ao banheiro, os estudantes precisam passar por dentro do refeitório, tirando a atenção daqueles que estudam no local.

A falta de espaço levou à Secretaria de Obras, Urbanismo e Infraestrutura a tomar outra iniciativa: ampliar a Escola Municipal Jacques Richer com oito novas salas de aula. A obra começou em 2012, quando foi fixada uma placa com o valor de R$ 1.092.754,29, mas a empreiteira que ganhou a licitação não teria “atendido as exigências contratuais e foi descredenciada”. Em meados de 2014, outra firma assumiu a obra, desta vez orçada em R$ 785.659,96. Segundo a professora Luciana Soares Marques, que trabalha há nove anos na unidade, os operários já paralisaram os serviços sete vezes. Na quarta-feira (21), a equipe de reportagem do Terceira Via esteve no local e não havia ninguém trabalhando. 

Em uma tentativa de organizar o fluxo de estudantes, no início de 2014, a Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esporte decidiu mudar a dinâmica de aulas: os alunos da Escola Jacques Richer passaram a estudar apenas no turno da manhã e os alunos da Escola João Goulart ficaram com o turno da tarde e da noite (EJA). Mas a iniciativa não trouxe solução. A quantidade de alunos nos turnos da manhã e da tarde ainda era grande e, como a obra de ampliação não terminou, o espaço continuava pequeno.

Como se os problemas citados acima não fossem ruins o bastante, os vigias e as serventes que trabalhavam na Escola Jacques Richer foram dispensados e a professora Luciana está preocupada com o que pode vir acontecer no ano letivo de 2012, que começa no dia 2 de fevereiro.

Luciana denunciou o caso ao Ministério Público que foi até o local para averiguar as condições da escola. “Eles tiraram fotos e filmaram cada canto da unidade, mas até o momento não tomaram nenhuma atitude”, contou. A professora não desistiu e procurou diferentes veículos de comunicação para contar o que estava ocorrendo com os estudantes, mas nem mesmo a voz da imprensa foi capaz de chamar a atenção do Poder Público Municipal.

“Eu já trabalhei doze anos na Escola Municipal João Goulart, sei que a obra era necessária e a estrutura das Escolas Modelo é realmente muito boa. Mas o que me deixa indignada é a morosidade. Quando anunciaram a obra, disseram que seria concluída em dezoito meses, mas já se passaram 38 meses e ainda não sabemos quando a escola será entregue. O ano letivo de 2015 começa em uma semana e meia e a obra parece que não vai terminar nesse curto período.  A minha pergunta é para quem está ocupando o cargo de secretário de Educação: os alunos vão precisar dividir aquele espaço mínimo pelo quarto ano consecutivo?”, questiona Luciana.

Outra denúncia
Ainda na localidade de Campo Novo, outra unidade escolar passa por problemas estruturais: há 21 anos, a Escola Municipal Campo Novo funciona em uma casa alugada e os cerca de 180 alunos matriculados precisam dividir um único banheiro.
Em agosto de 2012, o fato foi noticiado na revista Exame, de circulação nacional, onde foi feito um contraponto com os gastos na construção do Centro de Eventos Populares Osório Peixoto (Cepop), entregue no mesmo ano. A matéria, intitulada “As prefeituras fazem a festa com os royalties do petróleo”, frisou que Campos é a cidade que mais recebe royalties — quase R$ 10 bilhões na última década.

Resposta da Prefeitura de Campos
Sempre respeitando o princípio do contraditório e buscando as diferentes versões para um mesmo fato, o jornal Terceira Via entrou em contato por e-mail com a Secretaria de Comunicação Social, responsável por emitir notas sobre os outros órgãos municipais, e encaminhou as seguintes perguntas:

1) Quando a obra da Escola João Goulart vai ficar pronta? (A previsão era de 18 meses, mas já se passaram 38 meses).
2) Quando a obra da Escola Jacques Richer vai ficar pronta?
3) Em 2015, os alunos das duas escolas vão precisar dividir o mesmo espaço pelo quarto ano consecutivo?
4) Qual a solução que pode ser dada a esse problema?
5) As serventes da escola estão mesmo em aviso prévio? Outras serão colocadas no lugar antes do início do período letivo?

Em nota, a Secretaria Municipal de Obras, Urbanismo e Infraestrutura se limitou a responder que “a obra da Escola Municipal Jacques Richer é grandes dimensões, com dois pavimentos, salas de aula, laboratório de informática, entre outras dependências”.

O órgão se justificou dizendo que “o atraso na obra ocorreu porque a empresa vencedora da primeira licitação não atendeu às exigências contratuais, tendo sido descredenciada após os devidos trâmites legais. Dessa forma, novo processo licitatório foi realizado e, consequentemente, até que nova empresa assumisse os trabalhos, a obra na escola ficou suspensa”.

A secretaria garantiu que “a previsão é de que a Escola Jacques Richer seja entregue até o final de fevereiro”.

Sobre a obra da Escola Municipal João Goulart e sobre a demissão dos serventes e vigias, a Secretaria de Comunicação Social não emitiu nenhuma nota.

Um comentário:

  1. A educação vai mal.
    A saúde decadente.
    Infraestrutura deplorável.
    Cultura ladtimavel.
    Governo deprimente.
    Fora rosinha Garotinhoss!

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