A revitalização do centro velho de Campos é uma obra necessária.
O acervo arquitetônico da cidade é valioso e está escondido atrás de traquitanas, de teias de fios da Ampla, das companhias telefônicas e de fachadas de estilos indecifráveis de péssimo gosto.
Que venha a revitalização na acepção da palavra e na agilidade do gesto.
Dia desses vi uma fotografia de uma comitiva do governo municipal numa das esquinas "vistoriando a obra" - uma máquina que retirava a camada de asfalto da rua Barão de Cotegipe. Fiquei mais aliviado quando vi, entre os gestores, o professor Orávio de Campos Soares, secretário de Cultura do Município. Sem querer desmerecer os demais, acho que a revitalização do centro deve primar pelo compromisso cultural e histórico. Caso contrário, podemos ser surpreendidos com uma loja do McDonald na antiga estação de bondes, depois Ponto de Café Chá-chá-chá. Local onde a negra Justina, mãe de Patrocínio, depois de forra, vendia verduras.
O Centro está todo mapeado pela História destes Campos dos Goytacazes e seus heróis: de Nilo Peçanha, o presidente, à Luiz Militão, o poeta abolicionista. O Monitor, a Praça do Rocio, onde escravos eram flagelados, o jornal de Carlos Lacerda, "25 de Março", empastelado pelos escravocratas, a casa do Vigário João Carlos, de Nina Arueira, o comício dos integralistas que acabou em tragédia, o roteiro turístico, cultural e ficcional do coronel Ponciano de Azeredo Furtado, personagem do mais vigoroso e fascinante romance brasileiro, "O Coronel e o Lobisomem", projeto da doutora Arlete Sendra.
Ainda agora, a Santa Casa constrói um edifício-garagem, onde existia a Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens e a célula que deu origem ao hospital e pelo o que sei nenhuma referência histórica terá lugar no prédio pré-moldado que já avança para sua conclusão.
E as nossas ruas centrais? Ouvidor, Formosa, do Gás, Boa Morte, do Homem em Pé, Boulevard , dos Bondes, que fim levarão? terão seus nomes substituidos, pura e simplesmente? Ou terão sua memória histórica resgatada. O poste que sustentou a primeira luz elétrica permanecerá quase invisível, na beira rio? O marco zero da vila de São Salvador no pátio da igreja de São Francisco, na 13 de maio está no plano da revitalização?
Revitalizar o centro é reavivá-lo. Fazê-lo emergir do caos e da mediocridade.
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Concordo plenamente com vc Fernando. revitalizar nosso centro é reconduzir a nossa identidade para o centro da nossa história. Tempos atrás o Joca Muylaert pensou um projeto "Certidão de nascimento" para identificar os prédios históricos e lugares de memória da nossa cidade, mas ele ainda não foi aplicado. Talvez, um dia, alguém se lembre desse projeto e não tenha vergonha de colocá-lo em prática, pq até agora .....
ResponderExcluirAVENIDA PELINCA VOLTA A FICAR ALAGADA MESMO DEPOIS DE OBRAS
ResponderExcluirDo blog Pense Diferente
Nesta terça-feira (14/08), depois de uma chuva torrencial de 15 minutos, foi o suficiente para alagar a calçada e parte da Rua Alvarenga Filho, na Avenida Pelinca, que fica em frente ao Palácio da Cultura em Campos. A Rua em questão passou por obras,realizadas pela prefeitura que visava acabar com esse transtorno, o que pelo visto não aconteceu.
"A calçada vira um piscina quando chove, dificultando a passagem de pedestres e veículos pelo local, devido ao acumulo de água", de acordo com flanelinha que trabalha no local e não quis se identificar.
A população que tem de passar pelo local se sente abandonado pelo poder público, pois o problema é antigo e recorrente, mesmo depois das obras realizadas no local.
http://ralphbraz.blogspot.com.br/2012/08/avenida-pelinca-volta-ficar-alagada.html
Olha Fernando eu ainda não vi em Campos nenhum governo se preocupar com a preservação da história da Cidade.Desde que aqui cheguei e fiz morada, (eu me considero mais Campista do que carioca) em 1980, vejo prédios históricos mal tratados e pouca restauração. Voce citou aquela obra da Santa Casa ,na praça São Salvador, e eu concordo. Contudo, pior que isso, foi a construção da ponte rosinha. Que coisa horrorosa! É uma poluição visual e em nada combina com algumas construções antigas. Espero que os responsáveis por estas restaurações (ou revitalizações) tenham um pouco de sensibilidade, afinal, moramos num cidade histórica.
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