Sr. Fernando Leite
Relato a situação crítica por que passa a ponte sobre o Canal Campos – Macaé na Rodovia dos Ceramistas, RJ 238 (Ururaí a Donana).
Noticiei o caso primeiramente ao Engº George
Mendes, Inspetor do CREA–Campos por telefone, nesta data, e sua resposta é
plenamente ratificada pelo Portal do CREA-RJ, onde se afirma que “Não compete ao Crea-RJ a fiscalização de
denúncias relativas a Riscos de
desabamento e questões de segurança em edificações, que deverão ser encaminhadas aos
órgãos responsáveis”. E o site
indica, nestes casos, a Defesa Civil.
Além da perplexidade causada pela posição do
CREA, que se exime quando lhe deveria caber em primeiríssima mão a preocupação
com a sociedade no que diz respeito à Segurança Pública, quando o risco é
derivado de atividade que teve de ser aprovada e fiscalizada pela instituição –
tem-se o fato de que em se tratando de obra em uma rodovia estadual, o
Município não teria ingerência no assunto.
Mas, porque não foi tomada ainda nenhuma
providência efetiva por parte do órgão estadual, o que importa a essa altura é que
a informação seja divulgada com a MÁXIMA PRESTEZA.
E a blogosfera vem demonstrando ser a
alternativa de maior eficácia entre as demais: o Poder Público Municipal, a
Mídia convencional e o próprio Ministério Público, que vêm primando pelo
silêncio e pela inoperância frente aos interesses coletivos, quando não pelo
acobertamento imperdoável face às recorrentes denúncias registradas.
Em 2
dezembro 2011 encaminhamos à
3ª Residência
de Obras e Conservação do DER – RJ, na
pessoa do Dr. Ivan do Amaral
Figueiredo, laudo
preliminar de vistoria efetuada na citada obra.
Essa segunda ponte – de estrutura e execução
idênticas à outra, na mesma rodovia, sobre o Canal Campos-Tocos, e na qual havíamos
procedido a uma profunda intervenção com o objetivo de reforçar suas peças
metálicas que apresentavam diversas rachaduras em suas longarinas de
sustentação - mereceu as seguintes observações, àquela época:
“...
” Cumpre-nos
alertar a V.S. que a realidade que constatamos nesta segunda ponte supera as
piores expectativas iniciais.
“A obra se encontra, a nosso ver, próxima de um
colapso estrutural.
“As emendas das peças constituintes das mesas
inferiores das seis longarinas metálicas (chapas de 15” x 5/8”) estão
posicionadas rigorosamente alinhadas umas com as outras, no sentido
transversal. Ou seja, na fabricação das vigas e na sua montagem na ponte não
foi respeitada NENHUMA DEFASAGEM
entre elas, o que
possibilitará, com o fracasso de uma, o efeito cascata nas demais.
“A qualidade da soldagem nas emendas dessas
chapas – que detêm a exclusiva responsabilidade estrutural da ponte quanto aos
esforços de tração – é PRECARÍSSIMA.
As fotografias anexadas denunciam a deficiência.
“O quadro é preocupante.
“Uma justificativa
plausível para já não ter ocorrido o seu colapso, decorridos seis a sete anos
de utilização contínua, é que a demanda predominante dessa rodovia é por
caminhões
leves, se comparados aos pesados rodo-trens que demandando o Porto do Açu irão
trafegar por ali com suas cargas de 70 a 80 toneladas, conforme anunciado pela
LLX.
“A agravante de não existir aí a possibilidade
de desvio do tráfego para uma eventual situação emergencial (a primeira ponte,
sobre o Canal Campos/Tocos, dispõe ao seu lado, fortuitamente, de uma antiga
estrutura de concreto por onde está sendo conduzido o tráfego durante as obras
de reforço) deveria ser relevante na tomada de uma decisão com o alcance
necessário a prevenir evento futuro na segunda ponte, que poderá vir a causar
danos materiais, financeiros e humanos imprevisíveis.”
Infelizmente, em maio deste, constataram-se
tais previsões e a segunda ponte começou a apresentar fissuras generalizadas em
sua estrutura metálica.
Em 28 deste mesmo mês, por solicitação da
Residência, assinalamos em nova correspondência ao DER:
“....
“Devemos ressaltar que a continuidade
viária da RJ-238 está perigosamente comprometida por essas falhas, e mais que
isso, deve-se pressupor, em homenagem à segurança, que se anuncia um possível
colapso estrutural, conforme vistoria realizada e documentada nas fotografias
que evidenciam o início de uma ruptura generalizada das soldagens ao longo de
suas longarinas.”
“Nem seria necessário destacar que esse
quadro patológico se manifesta justamente após alguns meses do início do
incessante transcurso dos citados equipamentos especializados em transporte de
pedras. A oscilação vertical que se constata como efeito da passagem desses veículos
aparenta ser de maior amplitude que o da primeira ponte.”
Lamentavelmente, a burocracia oficial impede até
o momento a implementação imediata das ações cruciais exigidas nas
circunstâncias e, para piorar, a decisão administrativa está atrelada à remota
capital do Estado.
Esta é a informação que, como cidadão e
profissional, cabe-me divulgar, em benefício dos desavisados usuários dessa via,
que estão sendo submetidos, inconseqüente e criminosamente, a severo risco.
Saudações,
Jose
Ronaldo Ornelas Saad
Eng.civil
CREA 18322
(c/c para o blog do Sr. Roberto
Moraes)
Amigo José Ronaldo,
ResponderExcluirinfelizmente a posição de omissão, característica dos incapazes, é a preferida da maioria de nossas instituições, inclusive daquelas que deveriam primar pelo bem estar e segurança da sociedade, ao menos este é o pretexto oficial que justifica a existência de algumas. Quanto ao CREA - a resposta do Eng. George, Inspetor do CREA local, pode até estar correta tecnicamente, mas moralmente é uma vergonha! - não foram quaisquer razões que motivaram os arquitetos e urbanistas "abandonarem o barco" e criarem Conselho próprio. Eu, pessoalmente tive alguns episódios de desagrado, desde a ameaça de multa por ainda não ter afixada placa em obra, até o não acolhimento de denúncia que fiz de prática ilegal do exercício da profissão, quando me deparei com uma obra de manutenção das fachadas em edifício sem a devida responsabilidade técnica de arquiteto ou engenheiro, foi em Campos na rua Padre Ângelo Siqueira. O pior é que o síndico mencionou o fato de ter sido sugerido a ele o encaminhamento de processo contra mim, por falta de ética profissional (?!).
Mas se o CREA, como Autarquia, desejar ser de fato útil à sociedade, pode agir como já fez - por convênios - nas vistorias aos estádios de futebol (listagens anexas), quando ameaçavam a realização da grande paixão nacional, conforme abaixo (CREA-SP):
http://www.creasp.org.br/institucional/vistoria-nos-estadios
Sou professora e usuária desta estrada e passo por lá todos os dias, e estou assustada com esta denúncia. Costumo passar por lá para tentar fugir do trânsito pesado e desorganizado da Av. Artur Bernardes e da Av. 28 de Março.
ResponderExcluirNesta estrada não há nenhum policiamento do BPRV, e por ser uma BR de trânsito intenso e nenhuma segurança, estou encaminhando uma denúncia ao comando do BPRV no estado do RJ, pois dá a entender que estão fazendo vista grossa quanto ao peso exagerado dos caminhões que trafegam por lá.
Sempre, quando volto para casa, passo pela Artur Bernardes ( pois esta obra que não termina nunca do final da rodovia do Açúcar está muito confusa e sem nenhuma fiscalização, virou terra de ninguém, se tornando muito perigosa ) , mas está muito difícil trafegar por lá, pois está com trânsito intenso de caminhões pesados, que não respeitam a sinalização de trânsito, outros motoristas ( de carros pequenos ) e, principalmente, pedestres.
A falta de respeito tem sido constante, e o pior, é que não há fiscalização nenhuma por parte da guarda municipal e nem da EMUT( nunca vi nenhum guarda por lá, mas como estes órgãos municipais já são conhecidos por não podermos contar com eles ).
Espero que providências sejam tomadas logo, pois são vidas que estão em jogo.
Aguardamos por respeito aos usuários destas vias.
CAMPOS MINHA CIDADE MEU HORROR .
ResponderExcluirFico feliz em saber que existem pessoas honradas e decentes nesta cidade. Pessoas que se utilizam de suas profissões,( gratuitamente) para fiscalizar as coisas erradas que ocorrem em nosso município. Em contra partida, autoridades omissas e covardes se "escondem" por trás de um salário qualquer, um cargo público, enfim, não estão" nem aí "para o fato. A rigor, só se mexerão, quando a mídia televisiva denunciar tal fato (coisa que acho difícil no momento que vivemos). Quanto ao MP... prefiro não comentar.
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