terça-feira, fevereiro 11, 2014

UM RELATO ISENTO SOBRE OS TIROS NO FAROL

Reproduzo, abaixo, um texto, da técnica de enfermagem, Teresa Alves, sobre os penúltimos acontecimentos, no Farol de São Tomé. Longe das paixões partidárias, Teresa, faz um relato do que houve e que poderia ter sido muito pior. Leia e reflita:

Ontem, depois de 24 horas de um plantão tenso, onde, durante um show em Farol de São Tomé um louco decidiu se vingar de alguém, colocando em risco a vida de muitos inocentes, mantive o combinado de aproveitar o dia para aprender um pouco mais de fotografia.

Entretanto, no exato instante em que peguei na máquina, já sabia que não iria resultar em boas fotos. Mesmo depois de 8 horas após o inferno em que o lugar onde trabalho se transformou, eu ainda estava sob o efeito daquelas cenas de terror. A sirene das ambulâncias trazendo os feridos, a revolta da população, o cheiro do sangue contaminando o ambiente estéril, o desespero dos familiares, os gritos de dor dos feridos, a polícia tentando conter a população, a luta em manter o tratamento adequado àqueles pacientes e o desespero de uma equipe de técnicos, enfermeiros e médicos que trabalhava no limite.

E estava certa!

Sair de um plantão como aquele podia ser comparado a sair de uma guerra. Eu estava viva, mas ter sobrevivido com o saldo negativo não me dava nenhuma garantia de vitória. E fazia de mim uma pessoa extremamente solitária.

E a máquina, até então encarada como uma extensão do meu corpo e do meu estado de espírito, estaria condenada à mesma solidão.

E mesmo agora, pouco mais de 36 horas depois do ocorrido, ainda sofro daquela sensação de abandono... e medo. Sim, medo! Não da minha morte, mas da possibilidade da morte do outro, do filho, do pai, do irmão, do cunhado, do afilhado... do marido! Do sobrinho. E tudo isso só porque alguém decidiu se vingar, e nesse instante a palavra vingança parece morrer no fundo da minha garganta.

E mantém-se assim, presa.

Ao chegar a casa, o cartão da máquina confirmava tudo que eu sentia antes mesmo da primeira foto. E descobri que, o que antes me movia, o interesse pela cena como característica reveladora, se minha pele não refletir, nenhuma luz se fará. E não se fez.

E fiquei ali, com toda aquela paisagem retida, irrefletida. Opaca.

Teresa Alves

9 comentários:

  1. fernando vcs sergio mendes folha da manha,estão falando muito dos tirotios,em farol culpando a prefeitura, seguransa e com a policia militar.em grussai está pior que em farol e vcs não comenta nada.seja correto com seus comentarios.

    ResponderExcluir
  2. Bem, antes que, em consequência dos últimos acontecimentos no meu local de trabalho se transforme num palanque político, e neste caso, não pelo administrador do blog, Fernando Leite, mas por parte de um e de outro que não consegue ler com naturalidade, e sem intenção de maldade ou denúncia, um texto que teve a intenção ÚNICA da reflexão sobre a minha impossibilidade de refletir luz à paisagem de Farol, venho acrescentar informações que não devem mais ser adiadas a quem possa interessar, apesar de, na época, ter sido amplamente divulgado pelos órgãos de comunicação da Prefeitura.

    Em dezembro de 2013 a UBS Farol de São Tomé passou a ser gerenciada pela Fundação Saúde, passando a se chamar UPH Farol de São Tomé (Unidade Pré-Hospitalar), o que melhorou em muito a situação do Posto no que se refere à sua logística. Atualmente, além de contarmos, entre outros, com um Laboratório de Análises Clínicas, ECG, Monitor Cardíaco, Respirador, ou Ventilador Mecânico, uma diversidade de medicamentos de fazer inveja a qualquer Unidade Hospitalar, e uma Ambulância UTI de última geração, ainda trabalhamos com ‘Classificação de Risco’, que é composto por uma equipe de Enfermeiros e Técnicos em Enfermagem capacitados para reconhecer e priorizar o atendimento.

    Além disso, nossa equipe, (Médicos, Enfermeiros e Técnicos), é formada pelos primeiros candidatos que passaram no último Concurso Público realizado pela Prefeitura. Alguns recém-formados, como eu, mas o conhecimento que eles têm, bem como a dedicação dessa equipe em manter funcionando com qualidade essa estrutura, me permite dizer que são excelentes profissionais.

    E isso, não só em dias normais de atendimento, ou para um fluxo normal de pacientes. Inclusive no verão, que multiplicou em muito o número de atendimento!

    Mas que, nesse caso, a Fundação não negligenciou! Todas as equipes foram reforçadas, e tivemos um aumento considerável no nosso quadro, desde médicos aos enfermeiros e técnicos.

    Preservando dessa forma a mesma qualidade dos serviços prestados aos pacientes no período fora da temporada.

    Temos nossas dificuldades, é verdade. Como funcionários públicos e como profissionais. Dificuldades normais, outras não. Reivindicações negadas, ou esquecidas. Mas que neste caso, não têm nada a ver com o que exponho aqui.

    Não me cabe aqui trazer à tona um debate, ou fazer qualquer tipo de apologia ou crítica ao sistema político vigente. Eu também uso o serviço médico de uma clínica particular aqui em Campos, e posso garantir, sem nenhuma dúvida, de que o atendimento que os pacientes de Farol recebem não perde em nada para um centro de atendimento numa rede particular.

    O que me leva a concluir, muito sem graça, que, a pequena parte da população que insiste em referir que o governo só se lembra da população de Farol durante o período do Verão, é, também, a mesma que nos ignora durante todo o ano.

    Lamentável.

    Obrigada, Fernando.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pra quem vc está dizendo que o atendimento dessa porcaria de posto médico aqui do Farol é bom???

      Vc não está falando isso pra nós que moramos aqui não, né?

      Continue "usando o o serviço médico de uma clínica particular em Campos", minha querida, pois O ATENDIMENTO DE VCS AQUI NO FAROL É UMA MERDA!

      Excluir
  3. pelo que sei a praia campista é farol portanto qual é o crime?

    ResponderExcluir
  4. COMO SEMPRE OS ANÔNIMOS SAI EM DEFESA DA PATROA PARA NAO PERDER A BOQUINHA

    "O canalha, quando investido na liderança, faz, inventa, aglutina e dinamiza massas de canalhas. Façam a seguinte experiência: — ponham um santo na primeira esquina. Trepado num caixote, ele fala ao povo. Mas não convencerá ninguém, e repito: — ninguém o seguirá. Invertam a experiência e coloquem no mesmo caixote, um pulha indubitável. Instantaneamente, outros pulhas, legiões de pulhas, sairão atrás do chefe abjeto." (Nelson Rodrigues)

    ResponderExcluir
  5. Pobre anônimo, moramos em Campos e a nossa praia é o Farol de são Thomé, temos que resolver o problema de nossa casa primeiro... Então quer dizer que se faz uma festa aberta para milhares de pessoas, a polícia militar e os convidados que se virem. Ora... quem não tem estrutura não faz festa até que a tenha!

    ResponderExcluir
  6. Seu fosse prefeito das duas cidades, Campos e São João, proibiria a circulação dos 'tiros' elétricos nos dois municípios. Haveria economia que poderia ser desviada para construção de casas, dos insumos dos postos de saúde; aliviaria os plantões de profissionais de saúde e dos profissionais de segurança; tornaria mais humano os verões das praias dos municípios...

    ResponderExcluir
  7. Fernando, eu trabalhei durante anos no verão do Farol, e confesso, aquilo não me fazia bem. É o meu jeito de ser; pacato, calmo e com medo do mundo em que vivemos. Quando fazíamos shows de pagode (que gosto muito, afinal é samba também), rock e funk , o público ficava mais agitado,logo, o medo aumentava, a doideira, a zoação era latente . Quando tínhamos shows românticos, mpb etc a coisa melhorava. Certava vez, numa sexta, teve um show de pagode e houve tiros, corre-corre.Super noticiado. Já no sábado foi a vez do Fábio Jr e ele "levou" legal o povão. Quando cantava uma música mais agitada, logo em seguida, cantava uma lenta e o que se viu, foi gente até com carrinho de bebê, senhoras idosas , casais novinhos enfim, uma tranquilidade. Evidente que violência,, bala perdida etc não é gerada por músicas agitadas ou coisa assim mas, quando se trata de multidão, bebida alcoólica, maconha e cocaína, seria de bom alvitre(no mínimo) evitar essa coisa de trio-elétrico(deixa lá para os baianos), shows agitados etc, pois não existe ninguém que possa dar segurança total, e quem sabe assim , trazer shows mais ricos em cultura. Não iria resolver, mas certamente minimizaria a agitação do povo..

    ResponderExcluir
  8. Minha sugestão simplória é que aumente o valor da passagem de ônibus em tempo de verão e acabe com essa farofada cafona que se chama TRIO ELÉTRICO. tenho certeza que a criminalidade vai diminuir...

    ResponderExcluir

Deixe sua opinião