Reproduzo, abaixo, um texto, da técnica de enfermagem, Teresa Alves, sobre os penúltimos acontecimentos, no Farol de São Tomé. Longe das paixões partidárias, Teresa, faz um relato do que houve e que poderia ter sido muito pior. Leia e reflita:
Ontem, depois de 24 horas de um plantão tenso, onde, durante um show em Farol de São Tomé um louco decidiu se vingar de alguém, colocando em risco a vida de muitos inocentes, mantive o combinado de aproveitar o dia para aprender um pouco mais de fotografia.
Entretanto, no exato instante em que peguei na máquina, já sabia que não iria resultar em boas fotos. Mesmo depois de 8 horas após o inferno em que o lugar onde trabalho se transformou, eu ainda estava sob o efeito daquelas cenas de terror. A sirene das ambulâncias trazendo os feridos, a revolta da população, o cheiro do sangue contaminando o ambiente estéril, o desespero dos familiares, os gritos de dor dos feridos, a polícia tentando conter a população, a luta em manter o tratamento adequado àqueles pacientes e o desespero de uma equipe de técnicos, enfermeiros e médicos que trabalhava no limite.
E estava certa!
Sair de um plantão como aquele podia ser comparado a sair de uma guerra. Eu estava viva, mas ter sobrevivido com o saldo negativo não me dava nenhuma garantia de vitória. E fazia de mim uma pessoa extremamente solitária.
E a máquina, até então encarada como uma extensão do meu corpo e do meu estado de espírito, estaria condenada à mesma solidão.
E mesmo agora, pouco mais de 36 horas depois do ocorrido, ainda sofro daquela sensação de abandono... e medo. Sim, medo! Não da minha morte, mas da possibilidade da morte do outro, do filho, do pai, do irmão, do cunhado, do afilhado... do marido! Do sobrinho. E tudo isso só porque alguém decidiu se vingar, e nesse instante a palavra vingança parece morrer no fundo da minha garganta.
E mantém-se assim, presa.
Ao chegar a casa, o cartão da máquina confirmava tudo que eu sentia antes mesmo da primeira foto. E descobri que, o que antes me movia, o interesse pela cena como característica reveladora, se minha pele não refletir, nenhuma luz se fará. E não se fez.
E fiquei ali, com toda aquela paisagem retida, irrefletida. Opaca.
Teresa Alves
fernando vcs sergio mendes folha da manha,estão falando muito dos tirotios,em farol culpando a prefeitura, seguransa e com a policia militar.em grussai está pior que em farol e vcs não comenta nada.seja correto com seus comentarios.
ResponderExcluirBem, antes que, em consequência dos últimos acontecimentos no meu local de trabalho se transforme num palanque político, e neste caso, não pelo administrador do blog, Fernando Leite, mas por parte de um e de outro que não consegue ler com naturalidade, e sem intenção de maldade ou denúncia, um texto que teve a intenção ÚNICA da reflexão sobre a minha impossibilidade de refletir luz à paisagem de Farol, venho acrescentar informações que não devem mais ser adiadas a quem possa interessar, apesar de, na época, ter sido amplamente divulgado pelos órgãos de comunicação da Prefeitura.
ResponderExcluirEm dezembro de 2013 a UBS Farol de São Tomé passou a ser gerenciada pela Fundação Saúde, passando a se chamar UPH Farol de São Tomé (Unidade Pré-Hospitalar), o que melhorou em muito a situação do Posto no que se refere à sua logística. Atualmente, além de contarmos, entre outros, com um Laboratório de Análises Clínicas, ECG, Monitor Cardíaco, Respirador, ou Ventilador Mecânico, uma diversidade de medicamentos de fazer inveja a qualquer Unidade Hospitalar, e uma Ambulância UTI de última geração, ainda trabalhamos com ‘Classificação de Risco’, que é composto por uma equipe de Enfermeiros e Técnicos em Enfermagem capacitados para reconhecer e priorizar o atendimento.
Além disso, nossa equipe, (Médicos, Enfermeiros e Técnicos), é formada pelos primeiros candidatos que passaram no último Concurso Público realizado pela Prefeitura. Alguns recém-formados, como eu, mas o conhecimento que eles têm, bem como a dedicação dessa equipe em manter funcionando com qualidade essa estrutura, me permite dizer que são excelentes profissionais.
E isso, não só em dias normais de atendimento, ou para um fluxo normal de pacientes. Inclusive no verão, que multiplicou em muito o número de atendimento!
Mas que, nesse caso, a Fundação não negligenciou! Todas as equipes foram reforçadas, e tivemos um aumento considerável no nosso quadro, desde médicos aos enfermeiros e técnicos.
Preservando dessa forma a mesma qualidade dos serviços prestados aos pacientes no período fora da temporada.
Temos nossas dificuldades, é verdade. Como funcionários públicos e como profissionais. Dificuldades normais, outras não. Reivindicações negadas, ou esquecidas. Mas que neste caso, não têm nada a ver com o que exponho aqui.
Não me cabe aqui trazer à tona um debate, ou fazer qualquer tipo de apologia ou crítica ao sistema político vigente. Eu também uso o serviço médico de uma clínica particular aqui em Campos, e posso garantir, sem nenhuma dúvida, de que o atendimento que os pacientes de Farol recebem não perde em nada para um centro de atendimento numa rede particular.
O que me leva a concluir, muito sem graça, que, a pequena parte da população que insiste em referir que o governo só se lembra da população de Farol durante o período do Verão, é, também, a mesma que nos ignora durante todo o ano.
Lamentável.
Obrigada, Fernando.
Pra quem vc está dizendo que o atendimento dessa porcaria de posto médico aqui do Farol é bom???
ExcluirVc não está falando isso pra nós que moramos aqui não, né?
Continue "usando o o serviço médico de uma clínica particular em Campos", minha querida, pois O ATENDIMENTO DE VCS AQUI NO FAROL É UMA MERDA!
pelo que sei a praia campista é farol portanto qual é o crime?
ResponderExcluirCOMO SEMPRE OS ANÔNIMOS SAI EM DEFESA DA PATROA PARA NAO PERDER A BOQUINHA
ResponderExcluir"O canalha, quando investido na liderança, faz, inventa, aglutina e dinamiza massas de canalhas. Façam a seguinte experiência: — ponham um santo na primeira esquina. Trepado num caixote, ele fala ao povo. Mas não convencerá ninguém, e repito: — ninguém o seguirá. Invertam a experiência e coloquem no mesmo caixote, um pulha indubitável. Instantaneamente, outros pulhas, legiões de pulhas, sairão atrás do chefe abjeto." (Nelson Rodrigues)
Pobre anônimo, moramos em Campos e a nossa praia é o Farol de são Thomé, temos que resolver o problema de nossa casa primeiro... Então quer dizer que se faz uma festa aberta para milhares de pessoas, a polícia militar e os convidados que se virem. Ora... quem não tem estrutura não faz festa até que a tenha!
ResponderExcluirSeu fosse prefeito das duas cidades, Campos e São João, proibiria a circulação dos 'tiros' elétricos nos dois municípios. Haveria economia que poderia ser desviada para construção de casas, dos insumos dos postos de saúde; aliviaria os plantões de profissionais de saúde e dos profissionais de segurança; tornaria mais humano os verões das praias dos municípios...
ResponderExcluirFernando, eu trabalhei durante anos no verão do Farol, e confesso, aquilo não me fazia bem. É o meu jeito de ser; pacato, calmo e com medo do mundo em que vivemos. Quando fazíamos shows de pagode (que gosto muito, afinal é samba também), rock e funk , o público ficava mais agitado,logo, o medo aumentava, a doideira, a zoação era latente . Quando tínhamos shows românticos, mpb etc a coisa melhorava. Certava vez, numa sexta, teve um show de pagode e houve tiros, corre-corre.Super noticiado. Já no sábado foi a vez do Fábio Jr e ele "levou" legal o povão. Quando cantava uma música mais agitada, logo em seguida, cantava uma lenta e o que se viu, foi gente até com carrinho de bebê, senhoras idosas , casais novinhos enfim, uma tranquilidade. Evidente que violência,, bala perdida etc não é gerada por músicas agitadas ou coisa assim mas, quando se trata de multidão, bebida alcoólica, maconha e cocaína, seria de bom alvitre(no mínimo) evitar essa coisa de trio-elétrico(deixa lá para os baianos), shows agitados etc, pois não existe ninguém que possa dar segurança total, e quem sabe assim , trazer shows mais ricos em cultura. Não iria resolver, mas certamente minimizaria a agitação do povo..
ResponderExcluirMinha sugestão simplória é que aumente o valor da passagem de ônibus em tempo de verão e acabe com essa farofada cafona que se chama TRIO ELÉTRICO. tenho certeza que a criminalidade vai diminuir...
ResponderExcluir