sexta-feira, setembro 05, 2014

OS ESTRAGOS DO ANTI-VOTO

A grande massa que vota e elege seus representantes, o faz do alto do seu imediatismo, da superficialidade e do seu interesse menor. Umbilical.

No caso das últimas eleições municipais, em Campos, elegeu a prefeita e 21 dos 25 vereadores da Câmara, o que transformou Executivo e Legislativo, poderes distintos e com tarefas singulares, em cordatos "irmãos siameses". Melhor, cúmplices.


O descumprimento do que impõe a lei, mais do que a lei ordinária, a Constituição do Brasil, no caso da Saúde Pública, por exemplo, passa batido em Campos, com o sacrifício de vidas.

"A Saúde é um Direito do cidadão e um Dever do Estado", aqui, essa é uma frase cívica, mas inútil. Neste momento, há pacientes aguardando cirurgias seletivas há mais de um ano, faltam remédios básicos, exames dependem da rede particular e mais situações impensáveis para uma prefeitura que têm reservado só para a Saúde um orçamento de 500 milhões de reais.

Então o problema não é dinheiro, não é estrutural. É gerencial.

E esse arcabouço que funciona mal teve o seu aval, ilustre cidadão. É sustentado pelo seu voto, ou melhor, pelo seu anti-voto.

Sei que prego no deserto. As novas eleições já forçam as portas e se configuram iguais àquelas que passaram, ao preço escroto de 50 reais o voto.

É possível que ano que vem estejamos aqui com uma atiradeira na mão enfrentando um Poder anda maior e mais vigoroso. E mais corrupto.

Mas como sou um incorrigível otimista, espero, antes de morrer, sentir no rosto os ventos da mudança. Ou pelo menos, ouvir falar dela.

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