Entenda o
que o governo do casal Garotinho fez com as finanças futuras de Campos dos
Goytacazes. O estado que deixou o caixa municipal, o comprometimento das
receitas, a desordem financeira e o risco efetivo da insolvência e suas
consequências dramáticas, entre as quais, o corte de recursos dos programas
sociais e a regularidade dos salários dos servidores.
O município de Campos, nos anos de 2015 e 2016, pegou junto à Caixa Econômica Federal dois empréstimos: um de cerca de R$ 200 milhões e outro de mais de R$ 762 milhões, sendo que do segundo empréstimo ficou com R$ 562 milhões, já que utilizou parte deste segundo empréstimo para quitar o primeiro.
E, como forma de garantia de pagamento, incluindo os juros, comprometeu dos futuros royalties e das participações especiais aproximadamente R$ 1,3 bilhão.
O atual prefeito Rafael Diniz tentou renegociar esta dívida, uma vez que a procuradoria encontrou diversas inconformidades que feriam a resolução 02/2015 do Senado Federal.
Assim, tentou junto à Caixa, desde que assumiu o mandato, renegociar a dívida. Uma liminar chegou a ser dada pela Justiça ao Município para que os termos do contrato fossem revistos. Com isso, a CEF ficou impedida de cobrar do Município de Campos os valores celebrados no contrato.
Porém, uma nova decisão derrubou a liminar e agora a Caixa pode cobrar do município conforme consta no contrato, o que pode levar Campos ao colapso financeiro.
Veja nos links abaixo o pedido de empréstimo feito pelo Município à época, a Resolução do Senado Federal e a Cópia do Contrato, além da Lei da Câmara que autorizou a contratação.
Essa estória
que o Brasil mudou e que aquela máxima, segundo a qual, cadeia era só para
pobre e preto nessa pátria desigual, é uma meia verdade. É, mas não é como
deveria ser, mesmo considerando que colarinhos brancos e pés calçados com
sapatos Christian Loubotin, estão atrás das grades. Que grades chéri?
Os notórios
larápios, ladrões por ganância, pois já eram ricos, rapineiros do dinheiro
público, dinheiro dos hospitais sucateados, da escola que deforma, das estradas
assassinas, da polícia violenta e violentada, das crianças brincando de
criminosas, dinheiro dos servidores públicos, dinheiro que o povo paga pra
nascer, viver e morrer, foram presos “mais ou menos”.
Isso foi o
bastante para os críticos mais ansiosos e menos argutos identificarem um rumo
novo no curso da carroça da história.
Levados para
galerias especiais, capitães do PIB, medalhões do mundo político, autoridades
condecoradas são condenados a largas penas, mas, com o instituto da delação
premiada, cumprem regimes fechados relâmpagos. Encenam o espetáculo cartártico,
a mídia destaca o vigor da justiça, mas logo, logo vão para prisão mansão
domiciliar, nos condomínios de luxo, nas casas castelares. Para os pobres tudo
continua desigual. É como diz O Rappa “todo camburão tem um pouco de navio
negreiro”.
É a lei
frouxa, formulada à conveniência da elite mais perversa do mundo. O passado
fala por nós. No conjunto das nações, fomos nós, os últimos a abolir a
escravidão. Na Ilha de Vera Cruz, a plebe rude come o jiló que o diabo plantou,
mas descarrega sua inquietude na esbórnia do carnaval.
E não é só a
caterva política que se auto-potege não. O Código Penal brasileiro kafkaniano, é
generoso com os inquilinos ilustres das coberturas da pirâmide social. Os
crimes mais bárbaros, punidos com a reconhecida brandura da lei, ainda por
cima, prescrevem rápido na memória pública.
Três
exemplos que causaram revolta surda na sociedade impassível e impotente.
O médico
geneticista, Abdelmassih, que cometeu mais de 40 estupros em mulheres que o
procuravam para tratamento para engravidar e pagavam caro por isso, condenado a
quase 200 anos de prisão, chegou a ficar uma semana em casa, com menos de 3
anos de reclusão. Por mais que isso nos sufoque de indignação, é,
absolutamente, legal, Aderbal.
O casal
Alexandre Nardoni e Ana Jatobá, condenado pelo assassinato da pequena Isabela,
se prepara para voltar às ruas. Ana já passou pelos laudos psicológicos e
psiquiatras que a credenciam à liberdade, qualificando-a de lúcida e incapaz de
voltar a cometer crimes. Ela se prepara para montar sua confecção e entrar no
mercado fashion.
Suzane
Richtofen já está liberada para o regime semi-aberto. Apareceu na tela da TV,
sorridente e anunciou que vai se casar. No mesmo período, seu irmão, Andreas,
sobrevivente do plano que Suzane executou com seu namorado e cunhado,
assassinando seus pais enquanto dormiam, foi encontrado nas ruas, visivelmente,
perturbado. Os pais foram mortos, Suzane, aparentemente, carpiu sua culpa
oceânica e restou a punição mais dolorosa para Andreas.
Enfim, o
código penal brasileiro, quase octogenário, não está à altura dos crimes, no
Brasil.
A Polícia
Federal está nas ruas do Rio de Janeiro cumprindo mandados de busca e
apreensão, a partir da delação do ex-presidente do Tribunal de Contas do
Estado, Jonas Lopes de Carvalho Junior. Desta vez, a segunda, a incursão é no setor de transportes públicos, que teria pago em propinas a políticos do Estado
o equivalente a 260 milhões de reais.
Leia em
Veja:
PF cumpre m,andados, a partir da delação de Jonas Lopes de Carvalho Junior
A Polícia Federal (PF) cumpre, em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), oito mandados de prisão nesta segunda-feira em mais um desdobramento da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro. O foco da ação é a cúpula do transporte rodoviário.
De acordo com as investigações, ao menos 260 milhões de reais em propina teriam sido pagos pelos investigados a políticos do Estado, que não foram identificados. A operação se baseia nas delações premiadas do doleiro Álvaro Novis e do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Jonas Lopes.
Agentes da PF estiveram no apartamento de Lélis Marcos Teixeira, presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), para cumprir mandado de prisão contra ele. Além de Teixeira, também é alvo de mandado de prisão Renato Onofre, ligado ao Departamento de Transportes Rodoviários do Rio de Janeiro (Detro).
Onofre é acusado de receber, sozinho, quarenta milhões de reais em propina. Os policiais também fizeram buscas nas cidades de São Gonçalo e Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro, e no Paraná e em Santa Catarina.
No domingo, Jacob Barata Filho, um dos maiores empresários do ramo de ônibus do Rio de Janeiro, foi detido no Aeroporto Internacional Tom Jobim, enquanto tentava embarcar para Portugal. O mandado foi expedido pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal do Rio, responsável pelas investigações que levaram à cadeia o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB).
Segundo o advogado do empresário, a viagem não tinha relação com as investigações, mas se tratava de uma ida de rotina à um país onde negocia “há décadas e para onde faz viagens mensais”.
Conselheiro
Essa é a segunda operação policial derivada da delação premiada de Jonas Lopes. Em março, a Operação O Quinto do Ouro prendeu nada menos que cinco dos seis colegas de Lopes no tribunal, incluindo o presidente, Aloysio Neves, e o vice-presidente, Domingos Brazão.
O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado estadual Jorge Picciani (PMDB), foi alvo de condução coercitiva, quando o investigado é obrigado a depor. Segundo as investigações, os conselheiros alvos da operação são suspeitos de fazerem parte de um esquema de pagamentos de vantagens indevidas que pode ter desviado valores de contratos com órgãos públicos para agentes públicos. Em abril, o ministro Félix Fischer, relator do caso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), revogou a prisão dos conselheiros.
O presidente Michel Temer (PMDB) terá esta semana duas batalhas que vão influenciar os rumos do seu mandato nas principais frentes abertas pelo peemedebista: uma, para livrar a própria pele, arquivando a denúncia contra elena Câmara; outra, para dar sobrevida ao seu governo, sacramentando a aprovação da reforma trabalhista no Senado.
Nas duas, a vitória parece certa, mas o governo não canta vitória antes da hora: teme ser abandonado por alguns parlamentares, que, apesar de integrarem a base aliada, podem não querer vincular seus nomes de forma definitiva a um governo cujo futuro é incerto.
A primeira batalha será nesta terça-feira, quando deve ser definido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado o relator da denúncia contra Temer feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
A comissão tem 66 parlamentares, sendo 40 deles integrantes de partidos da base aliada, mas isso é relativo. Um exemplo é o próprio presidente da CCJ, o deputado federal Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), que, apesar de ser do mesmo partido do presidente, tem se mostrado independente do governo e acenado com a escolha de um nome independente para analisar a denúncia.
Pacheco também já deu mostras de rebeldia em relação ao governo ao dizer que acha que as denúncias contra o presidente – Janot pode fazer três – devem tramitar de forma separada, o que desagrada aos líderes do governo, que querem encerrar da forma mais rápida possível a discussão sobre as acusações contra o presidente na Câmara.
“Os critérios para a escolha do relator são ter conhecimento jurídico, ter relativa independência em relação aos interesses em jogo, porque isso é fundamental: a sobreposição dos critérios jurídicos e técnicos sobre os critérios políticos”, disse Pacheco na semana passada. Segundo ele, o relator pode ser da base aliada, do próprio PMDB ou da oposição, “mas que tenha relativa independência em suas posições”, disse.
O Planalto já viu o sinal amarelo: para agradar a Pacheco, vai trocar o presidente de Furnas, colocando Júlio César Andrade, que agrada ao peemedebista e ao PMDB de Minas Gerais, no lugar do atual dirigente, Ricardo Medeiros. Avisado da intenção do governo, Pacheco voltou a dizer que isso não mudará a sua postura e que a troca em Furnas era só a correção de uma “falta grave” com Minas, já que o PMDB local sempre indicou o dirigente máximo da estatal.
Placar apertado
Já na quarta-feira o presidente tem luta em outra frente: tentar aprovar a reforma trabalhista no plenário do Senado, último passo para sacramentar as mudanças na legislação. Ser um presidente capaz de conduzir a aprovação das reformas econômicas no Congresso é hoje o principal trunfo de Temer para permanecer à frente do cargo.
Por isso mesmo, uma derrota seria catastrófica. E o governo teme por ela. Nas contas mais otimistas dos aliados, Temer tem 48 dos 81 votos do Senado, o que seria suficiente, já que precisa apenas da maioria simples da Casa, ou seja, 41 votos. Mas no cenário pessimista, a base governista acredita em cinco traições, o que deixaria o projeto no limite de não ser aprovado.
A derrota da reforma trabalhista seria uma tragédia para o governo porque ela é considerada a mais fácil de ser aprovada. A da Previdência, que foi adiada por causa da crise política, é tida como muito mais complicada, já que, por ser uma emenda à Constituição, precisa do apoio de 2/3 dos senadores e deputados.
Diante do cenário, não está descartado que o governo adie a votação da reforma para tentar consolidar um cenário mais otimista. Um termômetro da disposição dos parlamentares poderá ser sentida já na terça-feira, quando o Senado irá apreciar o requerimento de urgência para a votação, que permite a tramitação mais rápida do projeto.
Nova denúncia
Além das batalhas na Câmara e no Senado, Temer deve ter pela frente esta semana mais uma denúncia apresentada por Janot – desta vez por obstrução de justiça, tendo como base, principalmente, o suposto aval de Temer para que o empresário Joesley Batista, dono da JBS, comprasse o silencio do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e de seu operador, o doleiro Lúcio Funaro.
Janot ainda pode apresentar uma terceira denúncia por formação de organização criminosa, que incluiria, além de Temer, outros peemedebistas como Cunha e os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Alves e os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Eliseu Padilha (Casa Civil).
O Prefeito de Campos dos Goytacazes, Rafael Diniz, foi pego de surpresa com a queda da liminar que mantinha o pagamento do empréstimo junto à Caixa no patamar de 10%.
Esse assunto vem causando polêmica desde o seu início, pois, nunca houve por parte da antiga gestora, uma prestação de contas à população acerca de onde foi investido a vultosa quantia adquirida por duas vezes.
Em qualquer poder público organizado e responsável a prestação do direcionamento dado a um valor adquirido por empréstimo é obrigação, principalmente tratando-se de dinheiro público.
Na qualidade de vereador, cidadão contribuinte e ciente dessa problemática, que também vem comprometendo os cofres municipais, estarei provocando a Caixa Econômica Federal, para que a Autarquia possa fornecer, dentro do prazo previsto na Lei de Acesso à Informação, a cópia integral do contrato celebrado com o Poder Executivo Municipal.
Em que pese vários vereadores que exerciam mandato na legislação passada assegurarem que chancelaram o requerimento de Rosinha, por estarem convictos de que o máximo que a Caixa poderia descontar era dez por cento, há necessidade de lermos, com nossos próprios olhos, a cópia que se encontra em poder da Autarquia. À imprensa, a assessoria da PMCG informou que o município está questionando judicialmente a legalidade do contrato firmado com a Caixa, tendo em vista o descumprimento ao disposto na Resolução do Senado e na lei municipal que autorizaram a operação de crédito, que limitava o pagamento a 10% dos valores recebidos a título de royalties.
Ora, se a procuradoria do município da atual gestão levantou essa dúvida em relação às tratativas do contrato, a decisão da Câmara de Vereadores, ocorrida na legislatura passada, em 2016, passa a ser uma discussão posterior, pois o que está em jogo agora foi o que aconteceu após a aprovação na Casa de Leis. Qual foi de fato a relação contratual entre a ex-governadora e os procuradores da Caixa?
Dentro desse contexto irei utilizar a Lei 12.527 de 2011 (Acesso à Informação) para obter da Caixa a cópia do contrato e de qualquer outro documento relativo ao tema e, uma vez com tudo em mãos, confrontar se o que foi decidido na Câmara em 2016 está em concordância com o que foi assinado pela ex-prefeita e os representantes da Caixa.
Vale ressaltar que a Lei de Acesso à Informação atinge órgãos públicos dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) dos três níveis de governo (Federal, Estadual, Distrital e Municipal). Incluem-se os Tribunais e Contas e os Ministérios Públicos. Também são atingidas pela lei, as autarquias (Caixa Econômica Federal).
Verdade que usar os feitos desastrosos da gestão passada, sem que sejam apresentadas algumas soluções práticas vai se tornando demodé. Porém, nesse caso específico dos empréstimos, analisar o passado é de suma importância para o momento de crise atual por qual passamos. Saber o grau de responsabilidade de Rosinha, caso ela exista, é uma obrigação minha, enquanto vereador e presidente da CCJ.
O radialista Anthony Garotinho, réu no processo conhecido como Operação Chequinho, que apura o uso do cheque-cidadão, como moeda de troca eleitoral, em 2016, dispenseou seu advogado, Fernando Fernandes, líder de uma das maiores bancas advocatícias do mercado. Veja matéria no Terceira Via
Fernando Fernandes não é mais advogado de Garotinho
O ex-secretário de governo chegou a demitir o advogado no última terça-feira, durante audiência no Fórum Maria Tereza Gusmão
Através de uma rede social, o advogado Fernando Augusto Fernandes, teria se despedido da defesa do ex-secretário de governo Anthony Garotinho. No último dia, (27), durante audiência de Garotinho, entre tantas discussões acaloradas, Garotinho chegou a demitir o advogado, após o réu querer dar mais detalhes em seu depoimento, posição com a qual o advogado discordava. Diante da discussão, o advogado alegou que preferia que fosse retirada sua procuração, então Garotinho disse que o faria, causando assim a saída do advogado da sala e provocando surpresa nos demais presentes. Um intervalo de cinco minutos foi dado pelo juiz Ralph Manhães – que conduziu a audiência – e então ficou decidido pela volta do advogado à sala.
Mensagem em rede social:
“Inicialmente registro que foi um orgulho, meu e de minha banca , lutar pelos direitos e pela liberdade no caso que fiquei responsável em Campos. Neste tempo colecionamos esforços e vitórias, soltamos a todos, conseguimos revogar o afastamento dos vereadores e terminar com a censura de Garotinho. Na data de ontem recebi comunicação de revogação dos poderes conferidos por Garotinho. Assim devo também, na segunda, renunciar o patrocínio de todas as causas conexas. Permanece a amizade e admiração. Estarei sempre de portas abertas para receber os amigos, amigas e colegas que fiz nesta jornada. Abraços Fernando Augusto Fernandes.”
Quem é Fernando Fernandes?
Fernando Fernandes, advogado do réu (Foto: Carlos Grevi)
Nos conturbados capítulos da novela envolvendo a Operação Chequinho, Anthony Garotinho tem a seu lado um advogado experiente e corajoso. Eleito em 2016 como um dos mais admirados criminalistas do Brasil pelo anuário Análise Advocacia 500, Fernando Augusto Fernandes é presença constante no noticiário na defesa do ex-governador. Em seu perfil no Facebook, ele cita Martin Luther King: “Temos o dever moral de desobedecer a leis injustas”.
Doutor em Ciência Política pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Fernando Fernandes foi conselheiro da seccional Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), onde presidiu a Comissão de Defesa, Assistência e Prerrogativas. Tornou-se mestre em Criminologia e Direito Penal pela Universidade Candido Mendes, com dissertação sobre a defesa de presos políticos através da República.
O sobrenome é conhecido no meio jurídico. Seu pai, Fernando Tristão Fernandes, há 55 anos comanda o Fernando Fernandes Advogados, com matriz em São Paulo e unidades no Rio de Janeiro e em Brasília. O escritório, um dos mais influentes do país, atua na defesa em procedimentos criminais de natureza administrativa e ações penais em trâmite na primeira e segunda instâncias, bem como nos Tribunais Superiores.
Professor, palestrante e articulista com matérias publicadas em jornais e revistas especializadas em Direito Penal, Fernando Augusto Fernandes é sócio do pai, a quem se refere como um mestre.
Quando se deparava com uma obra de arte feita com esmero, criatividade e generosidade, meu mestre Zé Cândido de Carvalho, exclamava: "- fiquei enluarado!" Foi o que aconteceu comigo diante da grandeza do texto de Fabio Bottrel, "Andarilhos literários". Além de "enluarado", me declaro "estrelado" também. Abraços Fabio.
Replicado do Blog Opiniões.
Fabio Bottrel — Andarilhos Literários
Por Aluysio Abreu Barbosa, em 17-06-2017 - 21h18
Sugestão para escutar enquanto lê: Alessandro Marcello – J.S. Bach – Piano: Anne Queffélec
— Ô tempim bom pra esticar os pé debaixo da chaminé… parece inté que a gente tá dentro do texto de Fernando Leite. – Disse Seu Zé, enquanto discutia Mallarmé, assobiando a brisa leve que acariciava o rosto e as palavras ditas a seu amigo, Mané.
— Pois é, Seu Zé… cidade boa é isso ou essa, tanto faz se dessa ou disso, o bom mesmo é que inté nós que somos personagens em um texto, em tão pouco tempo de existência, já temos tanta história pra contar que já começamos citando que é pra dar tempo de terminar.
Enquanto os dois compadres conversavam à beira de um Ipê tão amarelo feito o sol belo na Terra, observando sobre os dedões de seus pés a paisagem que aflora afora o dia, um vento forte incide em suas faces como um sopro trazendo uma voz longínqua: “As cidades são vivas, se movimentam, pulsam, experimentam o frescor de tempos felizes, adoecem, amargam enormes tristezas e morrem também!!”
— Ô Mané, d’onde tá vindo essa voz?
— Acho que daquele homi que tá lá na ponta da rua.
Mané aponta para um homem de barba por fazer, tropeçando pelas calçadas e gritando para o céu: “As cidades são grandes casas comuns. Se bem cuidadas, generosas e confortáveis, se não, insuportáaaaaaaaaaaaaaveis!!!!”
— Mas esse homitá muito brabo, Seu Zé.
— Eu conheço esse texto, Mané, esse homitá falando o texto do Fernando Leite.
— Uai, sô! Mas será que nós que fomos parar no texto de lá ou ele que veio parar aqui?
Outro vento forte sopra na face dos dois e o Ipê amarelo feito o sol belo desaba como cartolina, levando tudo ao seu redor até o céu, desmorona como um edifício implodindo ao chão. Atrás do cenário caído, o céu está cinza como um filme de terror, Mané e Seu Zé percebem que estão no alto de uma montanha e lá embaixo veem uma cidade em forma de avião com edifícios de curvas tão harmônicas, jamais vista. Em um dos imponentes edifícios reconhecem o Congresso Nacional, em frente a ele, milhares de pessoas manifestam com placas contra a corrupção, outras gritam e choram enquanto a polícia bate feroz nos que ali estão.
Enquanto os dois observam abismados, sentem um ligeiro cheiro de álcool envelhecido em corpo humano, quando Seu Zé olha para o lado vê o bêbado, que gritava rua afora, olhando a baderna que se fazia lá embaixo e diz calmo como se a ressaca se transformasse em torpor: “Os aglomerados humanos, se estruturaram, desde sempre, seguindo a lógica do Poder.” – Aponta para o Congresso Nacional e depois para a população, vítima da corrupção, que se manifesta impotente ao redor – “Do centro para a periferia.”
— Quem é o sinhô? – Pergunta Mané.
Seu Zé analisando bem de perto o homem reconhece na barba rala uma semelhança com Oscar Niemyer.
— Aqui jaz as minhas lágrimas, meus amigos. – Disse o homem antes de um vento forte romper com a conversa, tão forte que fez os olhos de Seu Zé e Mané se fecharem e no acalmar da violência divina os sussurros de ventania nos ouvidos aos poucos foram trocados por vozes suaves de garotos que gritavam em uma partida de futebol. Quando abriram os olhos estavam no alto da torre de uma antena, lá embaixo havia um campo de várzea com crianças brincando e ao longo da rua mulheres carregavam sacolas de compras seguidas pelos cachorros.
— Mané! Eu reconheço esse campo! Mané! É assim que começa o texto do Guilherme Carvalhal!
— Mas nós pulamos para outro texto intão, Seu Zé?
— To achando que sim…
— To me sentindo um personagem sem moradia assim, Seu Zé…
— Não seja bobo, Mané. Que outro personagem tem a chance de fazer uma viagem literária assim?
Enquanto os dois conversavam viram uma sombra se aproximar rente à quina direita da torre, prenunciava a aparição de um rapaz sorridente, que como se já os conhecesse disse acenando para que os dois o seguissem: “Vamos, amigos! Aqui não nos escondemos atrás de prédios e grades de condomínio!”
Dito isso o rapaz se pôs a descer a torre da antena pela escada em caracol, tão rápido que se os dois não tivessem captado logo a sua mensagem e se pusessem a descer também, tê-lo-iam perdido de vista.
Seguindo o jovem passaram pelo meio do campo de várzea, onde as crianças jogavam bola, atravessaram a rua que as donas de casa seguiam com suas sacolas e cachorros, viram o rapaz dar esmola para um mendigo e desejar-lhe uma vida com mais benesses.Tudo parecia correr normal por aquela cidade, jardineiros cuidavam do jardim da praça rente ao chafariz onde passavam, pais cuidavam de seus filhos, mas logo entraram numa rua com enorme engarrafamento de carros e motos, que buzinavam incessantemente. Andaram, andaram, andaram e lá no final havia uma ponte, começaram a atravessá-la, o rapaz havia sumido, mas logo notaram bem à frente um personagem cativante, enquanto outros tantos passavam ao seu lado. O senhor de cabelos grisalhos e corpo esbelto olhava fixamente para baixo da ponte, para os rios e as pedras. Quando Seu Zé e Mané se aproximaram ele se espantou.
— O que o sinhô tá olhando tanto aí pra baixo? – Pergunta Mané.
— Vocês não eram para estar aqui… ninguém conversa comigo nesse lugar.
— Não, na verdade nós somos andarilhos literários…
— Estão vendo todas essas pessoas seguindo suas vidas normalmente enquanto uma, ao lado, está prestes a ser ceifada? – Perguntou o senhor ao dois, enquanto demonstrava a apatia dos transeuntes, como se deixassem de ser humanos, estavam todos robotizados seguindo para suas obrigações.
— Sim, mas o sinhô não está pensando em… – Antes que Seu Zé pudesse terminar a fala o homem se joga da ponte em direção ao rio e às pedras. Mané se assusta e ao tentar pegar o pé do senhor que decidiu terminar com a própria vida se desequilibra e despenca da ponte, Seu Zé consegue segurar seu pé, mas logo suas forças se esvaem e os dois caem no fundo do rio.
Quando emergiram do mergulho e constataram que ainda estavam vivos, Seu Zé e Mané não conseguiam identificar onde foram parar. Tudo era branco e da textura de pano, aparentava lá no céu, onde o pano se fechava e formava um saco, estar escrito UTOPIA, ao lado as pessoas cumprimentavam umas às outras, abraçavam, as camisas eram coloridas, os sorrisos sinceros, não havia gente mau-caráter, não havia corruptos. Seus ouvidos foram preenchidos da mais bela música que todos escutavam, todos pareciam estar satisfeitos, Seu Zé logo reconheceu que estavam no texto da Carol Poesia e gritaram na esperança de quem os criou escutasse:
— Não queremos sair daqui!!! Deixa a gente aqui!!
— Seu Zé, quando a esmola é tão boa assim… sei não, hein, será que isso é sonho? – Mané ouviu a mulher que passava ao lado dizer “Pode ser, quem sabe?”
De repente, como um terremoto, o saco começou a balançar, como se estivesse na mão de um gigante que abriu e virou de cabeça para baixo. Todos os educados, a música bela, os bons de caráter, as cores, tudo começou a cair em câmera lenta, uns esbarrando nos outros, preenchendo de cores pelos esbarrões o que logo se tornaria breu ao caírem todos no mesmo buraco.
Seu Zé e Mané enquanto caíam em queda livre avistaram lá embaixo o continente Sul Americano, tentaram designar o vento com os seus corpos para caírem no Brasil, mas acabaram caindo na Colômbia, em sua capital, Bogotá. Seu Zé logo reconheceu o bairro histórico onde a cidade fora fundada, os principais museus e prédios históricos do governo. Percebeu de imediato: — Mané, estamos no texto da Manuela Cordeiro!
— Nós tamos na Colômbia, Seu Zé?
— Tamos, precisamente em Bogotá.
— Né por nada, não… mas cê num tá com saudade de casa já, não?
— Mané… agora que cê falou… eu to é com uma saudade daquela cabruncada…
— E esse texto da Manuela tem um monte de Cidade pra nós desbravar ainda, mas eu tôcuma saudade…
— Vamo fazer greve então, Mané?
— Vamo. Vamo sentar na escada desse museu aqui e deixar claro que daqui nós num sai enquanto num voltar pra casa.
Os dois sentam na escada do museu de Bogotá com os braços sobre os joelhos dobrados.
— Ouviu, Seu Narrador?! Pode parar de ficar descrevendo a gente que nem movimento nós vamo fazer mais.
Os dois param de fazer movimentos e se põem estáticos tal como uma estátua.
— Que narrador chato, nem com a gente parado ele fica quieto… – Diz Seu Zé falando com o canto da boca.
Passam-se horas e horas e os dois continuam estático na escada do museu, então o autor resolve intervir, pois a história precisa ter fim.
— Estou tentando atender ao desejo dos dois, mas se ficarem parados nada vai acontecer.
— Mas nós não queremos ficar aqui, queremos voltar pra casa, escreve aí que estamos indo pra Campos.
— Querem ir andando?
— Claro que não! – Diz Mané assustado.
— Então vocês têm que se mexer até eu ter uma ideia para levar vocês de volta.
— Mas que que nós faz? – Pergunta Seu Zé.
— Vão andar pela cidade. – Diz o Autor.
Os dois se levantam e começam a caminhar pelo bairro histórico de Bogotá, passam em frente ao local onde Manuela se hospedou, e sem perceber um bueiro enorme aberto logo à frente caem no buraco tão escuro e tão vazio que pareciam cair por horas!
— Seu Zé, eu acho que a gente já parou de cair.
— Mas está tudo escuro ainda, Mané.
— Mas eu consigo pisar, será que não tem um lugar para acender a luz? – Mané vai apalpando ao lado e percebe que tem paredes, logo acha um interruptor e quando acendem percebem que estão numa sala, abrem a janela e reconhecem a rua Formosa, enquanto os carros passam num dia belo, eles veem o Colégio Eucarístico bem à frente. Sobre a mesa uma folha com o Mapa de Mário Quintana:
“Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo…
(É nem que fosse o meu corpo!) Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei…
Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei…)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso…”
Os dois sorriram e entenderam: a cidade ideal é onde está nossa casa.
O desenvolvimento de Politicas públicas para a Infância e juventude, não pode ficar relegada ao plano
das ações simplistas, de programa ineficientes e de gestores desqualificados para o desempenho dessas ações. Cuidar da infância e juventude no âmbito estadual ou municipal, é de extrema responsabilidade, ser o
intérprete do que é garantido
por lei específica, vai muito além do
que temos observado ao longo dos anos, e a ineficiência do sistema e a falta de preparo dos gestores que desavisadamente, ou por simples preferência equivocada daqueles que os indicam para cargo que acabam sendo
responsáveis por executarem essas políticas publicas, levam o Estado bem como o
município, para um atraso monumental, levando ao esvaziamento de recursos, que inclusive
são garantidos por lei para serem
alocadas nos respectivos programas.
A necessidade de se
desenvolver programas de capacitação
para os executores das referidas políticas
de atendimento a Infância e juventude, é mais que urgente e não precisa
de muito tempo para que se identifique
essa necessidade, entender como
as organizações funcionam, conhecer a metodologia socioeducativa, entender os
mecanismos da administração pública, são requisitos essenciais para que um bom
gestor consiga desempenhar suas funções e promover uma resposta produtiva a
clientela atendida.
Executar as Políticas Públicas para a sócio educação, e proporcionar ao sujeito
para quem essas politicas não direcionadas, que os mesmos se tornem
protagonistas de sua própria história, oferecendo ações de ambientes propícios
para que os objetivos sejam alcançados.
A ação sócio educativa, tornou-se digna de ser reconhecida como um processo
formativo indo além de sua condição tradicional de controle social, apesar de
ser uma definição verdadeira, nao da conta de sua missão e compromisso junto a
criança e ao adolescente para educa-lo para o convívio social, dessa forma,
tomando-se como base os quatro pilares
da educação para o século XXI, segundo a
UNESCO, conforme o relatório Jacques Deloirs, como ideal formativo, assim,
veremos claramente que aquilo que define e singulariza a sócio educação é o
binômio "APRENDER A SER" e "APRENDER A CONVIVER", e dessa
forma, reside aí, a importância das fundações que desenvolvem esses programas
nos municípios, não admitindo nos dias de hoje que esses gestores não são
altamente especializados, e um executivo articulado, compromissado, para que não
coloquem em risco políticas públicas para a infância e juventude, desse modo o papel dessas
fundações é assunto para outro artigo.